02 Diálogo com o Príncipe
IN GAME: 28 de Maio de 2004
IRL: Sessão de 01 de Julho de 2023
Com seus profundos olhos negros, Scheid observa os dois vampiros e a bolsa descerem do helicóptero. Seus movimentos são lentos e precisos e, um humano jamais notaria a aura de sincera raiva e nervosismo que o cerca. Judas e Rodrigo notam, claro. Depois de uma conversa distante e inaudível com Gunther, Dom Scheid acena educadamente para que os três se aproximem.
- Sentem-se, por favor. - ao que os três se sentam calmamente em algumas cadeiras vazias do pequeno teatro privativo no topo da cúpula.
- Preciso saber em detalhes o que ocorreu essa noite na Boate Fogo Fátuo. - seu tom era simpático, mas não abria espaço para uma negativa. Era uma simpatia ameaçadora.
Pouco a pouco cada um contou o que havia visto. Claro que uns - vampiros - sabem navegar esse mundo de trevas e intrigas melhor que outros. Mas a narrativa foi, basicamente, ipsis litteris o que havia ocorrido e, talvez, escondendo-se muito pouco do Príncipe. Talvez apenas o necessário. dentro do clima de tensão a história se desenrolava até a visão do homem vestido em roupas monásticas. Ao perceber que esse assunto chegaria, de uma forma ou de outra, Rodrigo pediu permissão, discretamente à Gunther para falar sobre. Assentido, Rodrigo informa que havia uma terceira pessoa no topo das escadas de onde Anton havia descido.
- Enquanto subíamos as escadas pudemos ver esse homem com vestes monásticas. Era bastante notável que faz parte de uma ordem, assim como vossa senhoria, assim como eu mesmo. - disse Rodrigo.
- Sim... havia uma terceira pessoa. Mas não era pertinente. A Fogo Fátuo é nossa casa, e quem levamos para lá não é relevante para outros. Além do mais se tratava de uma festa privada. - cortou Gunther com certa agressividade.
Dom Scheid tinha uma certa raiva nos olhos pequenos. Mexia o enorme anel de ouro que carregava no dedo mínimo da mão direita, como se concordasse com a ideia de participarem de ordens; esperava mais informações.
- Ao subirmos as escadas para o heliporto, o vimos novamente. - seguiu Rodrigo.
- E ele tinha um olho no meio da testa, além da pele dourada. - fodeu com tudo o humano.
Imediatamente a cúpula foi tomada por um sentimento de ódio. Chega um ponto na idade de alguns imortais no qual controlar suas habilidades é mais difícil do que usá-las. Todos na cúpula - e muitos no prédio - puderam sentir o ódio que percorria a existência de Scheid ao ouvir isso. Suavemente, Gunther coloca a mão no ombro de Scheid, seu conhecido de alguns anos já.
- Acalme-se, senhor. Isso não vai ajudar agora.
- Você vai resolver essa merda... e dar cabo desse Salubri filho da puta! E você - apontava agora pra Rodrigo - vai resolver essa bolsa ambulante aí... é inacreditável vocês andando por aí carregando um lanchinho, puta que pariu. Esse mortal é problema seu.
Após o inesperado rompante, Dom Scheid os mandou embora. Faltava muito pouco para o dia raiar, então Gunther decidiu levar todos para casa, porém segundo antes de sua saída Judas foi capaz de ver um estranho símbolo, como que brilhando na parede ao fundo do teatro. Ao perguntar para os outros, ninguém havia visto também. Anotou mentalmente para desenhar depois... era um olho com uma cruz ao meio e sete cílios, apenas em cima. Parecia feito de energia, ou projetado naquela parede. Petter foi preso no abrigo de Rodrigo. Judas foi para seu abrigo e Gunther retornou para a Fogo Fátuo, deixando claro que todos eles precisavam estar na boate logo assim que a noite caísse.
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